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17 de julho de 2017 - 16:19Túnel do Tempo

Direto do túnel do tempo (376)

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RIO DE JANEIRO (Sempre Gilles!) - Grande Prêmio da Inglaterra, circuito de Silverstone, ano de 1977. Naquela corrida disputada em 16 de julho, estreava a bordo de uma McLaren M23 – o mesmo modelo que dera a James Hunt o título mundial de Fórmula 1 na temporada anterior – um desconhecido canadense de 27 anos que faria história num curto espaço de tempo dentro da categoria: Gilles Villeneuve.

Desconhecido para a maioria, mas não para o próprio Hunt, que levou um baile do baixinho numa prova de Fórmula Atlantic disputada em Trois-Rivières e que serviu como aval para que Gilles estreasse num terceiro carro da equipe. John Hogan, amigo de James e diretor da Phillip Morris – leia-se Marlboro – também foi seduzido pela lábia do britânico e autorizou um reforço no orçamento para que a equipe desse ao jovem uma oportunidade.

E ele não a desperdiçou.

Por não ter experiência anterior na categoria, andou na Pré-Qualificação – já que havia 37 inscritos para 30 vagas nos treinos classificatórios – e nela foi o mais rápido, superando gente mais experiente feito Patrick Tambay, Jean-Pierre Jarier, Brett Lunger e Brian Henton. Assombrou desde que sentou no carro. Pareciam íntimos de longa data. Nas sessões de qualificação, ficou a apenas oito décimos de James Hunt e conquistou um incrível 9º lugar no grid de largada. Entre os 17 pilotos que deixou pra trás, estavam Ronnie Peterson, Jochen Mass, Alan Jones, Carlos Reutemann, Jacques Laffite, Patrick Depailler e o bicampeão mundial Emerson Fittipaldi. Sem contar Clay Regazzoni, que nem classificação obteve.

Na largada, o canadense logo pulou para a sétima colocação. E sustentou a posição durante nove voltas. Na 10ª, entrou nos boxes: o mostrador de temperatura apresentava níveis estratosféricos e Gilles preferiu buscar o auxílio da equipe a estourar um motor e deixar uma impressão péssima em sua estreia. Perdeu duas voltas – regressou à pista em 21º e penúltimo. Chegou ao final da disputa em décimo-primeiro, entre 15 pilotos que receberam classificação. Nada mal.

A McLaren perdeu uma chance de ouro de contratar o canadense, porque outro piloto que o conhecia também falou maravilhas sobre ele e pelo visto sua palavra pesou mais do que a de James Hunt junto a John Hogan e Teddy Mayer: Chris Amon, que acabou substituído por Gilles na categoria Can-Am a bordo de um Wolf-Dallara, ficou assombrado com a habilidade natural de Villeneuve e o recomendou a Daniele Audetto, diretor da Ferrari. Como este não andava às mil maravilhas com Niki Lauda, deu um jeito de substituí-lo mandando embora o mecânico de confiança de Niki, Ermanno Cuoghi.

O austríaco ficou furibiundo, pediu demissão, assinou logo com a Brabham por um caminhão de dinheiro e levou Cuoghi junto. Assim, Villeneuve foi contratado e conquistou a Ferrari, os seus tifosi e também ao coração de todos os fãs do automobilismo, no mundo inteiro, que choram até hoje a perda monumental ocorrida há 35 anos.

Para fechar, o blog traz um vídeo que o amigo Antonio Seabra recomendou vivamente – e que eu não conhecia. O canal italiano RAI apresentou um documentário espetacular sobre Gilles, narrado por ninguém menos que Alessandro Zanardi, da série “Sfide” (Desafios).

Pelo que o Antonio me falou, o programa traz ótimas entrevistas – inclusive com o Commendatore Enzo Ferrari, Luca di Montezemolo, Mauro Forghieri e mecânicos que trabalharam com ele.

Há 40 anos, direto do túnel do tempo.

5 comentários

  1. Rafael disse:

    Mattar posso estar falando uma bobagem tremenda, mas em minha modesta opinião, Gilles e Ayrton pertenciam a outro mundo. Foram os maiores gênios do automobilismo, numa época onde o talento falava mais alto.
    Ironicamente, quis o destino levar nossos dois ídolos precocemente.

  2. Zé Maria disse:

    E o número da McLaren, meio que para celebrar as 4 décadas desse feito extraordinário, é justamente o “40″. . .
    Zé Maria

  3. Alexandre Quintão disse:

    Caro Rodrigo,
    Obviamente, reconheço o incrível talento do Gilles Villeneuve, porém, nunca fui fã. Como também não o fui do Senna.
    Gostei do texto. Você, como sempre, é perfeito na escrita.
    Abraço!

  4. Antonio Seabra disse:

    Rodrigo,

    É sempre bom ver o Gilles lembrado na midia, e voce eh mestre em honrar esse piloto fantastico, que em sua curta carreira nos brindou com momentos insqueciveis .
    Na minha opinião, e na de muitos de sues conteporaneos pilotos, ele foi a maior dose de habilidade natural que ja se viu entre o banco e o volante de um carro de corridas. E certamente, foi a maior dose de ousadia também.

    Gilles era destemido, mas em função de acreditar que nada de ruim poderia acontecer com ele, dentro de um carro. E isso fica claro em algumas de suas entrevistas.

    Muitos comparam Ayton Senna com Gilles, mas eu vejo muitas diferenças entre a pilotagem dos dois, sem qualquer demerito para nenhum dos estilos. Senna era muito rapido, em função de seu absurdo poder de concentração e inquestionavel rapidez de reflexos, mas tinha uma tocada agressiva, nem sempre bonita de se observar e distante da pilotagem classica: era mais rispido com o volante e “telegrafava” muito no acelerador, fugindo um pouco da pilotagem classica. Gilles, pelo lado inverso, abusava da habilidade natural, com uma tocada fluida, embora abusando das longas derrapagens, que davam um visual ultra agressivo pra quem olhava de fora. Apesar disso seus movimentos eram mais suaves, e sua dosagem de aceleração era mais modulada.

    Uma outra diferença fundamental é que Senna inaugurou um estilo de fechar a porta muito agressivamente, uma caracteristica que virou escola e que foi seguida pelos mais modernos, especialmente por Schumacher e, nos dias atuais, por Max Verstappen. Nisso Gilles era outra vez diferente, e inegavelmente mais etico: ele sempre deixava espaço para quem vinha atras tentar utlrapassar – um minimo de espaço , é verdade – e se defendia freando muito mais tarde, ou abusando da velocidade dentro da curva e de sua capacidade de desenhar traçados menos ortodoxo…. e continuar sendo rapido, quando em disputas lado a lado.

    Quem quiser se certificar disso basta ver o video do GP da Espanha de 1981.

    Pra exemplificar como penso, vou montar grupos de pilotos, e dar alguns exemplos:

    Pilotos agressivos nos comandos, de tocada “pendurada”:: Senna, Mansell, Pilotos Pilotos agressivos nos comandos, de tocada no trilho; Lauda, Watson
    Pilotos suaves nos comandos, de tocada “pendurada”: Gilles, Clark, Pace
    Pilotos suaves nos comandos, de tocada tecnica e classica: Graham Hill, Prost, Lole.

    Calma, gente, antes de querer fazer um tratado definitivo sobre pilotagem, isso espelha so a minha opinião pessoal, e os meus criterios pessoais de analise.

    Pessoalmente prefiro pilotos do estilo do Gilles, Clark, Pace, Peterson.

  5. Leonardo disse:

    A Mclaren de 1977 foi a vanguarda do Halo…

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