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13 de abril de 2017 - 11:56Mundial de Endurance

Guia WEC 2017 – equipes LMP2

RIO DE JANEIRO - Vamos a mais um guia de equipes do Mundial de Endurance 2017, agora com a primeira das duas classes de Esporte-Protótipos: é a LMP2, que vem para este ano com um novo regulamento técnico. Todos os chassis terão o mesmo powerplant: motores Gibson GK428 4,2 litros com arquitetura V8, debitando 600 cavalos – cento e cinquenta a mais que os antigos motores da categoria e eletrônica padrão fornecida pela Cosworth. Quem ouviu o ronco desses propulsores sente saudade da Fórmula 1 sem essas unidades com MGU-K e turbocompressor, que mais parecem liquidificadores ou aspiradores de pó fazendo barulho.

Também como medida de restrição de custos, o ACO limitou a presença de construtores de chassis nesta divisão para quatro – Onroak Automotive (Ligier), Riley/Multimatic, Dallara e Oreca. Só que no Mundial de Endurance, o tiro saiu pela culatra: TODAS as equipes inscritas para a temporada 2017 vão usar os chassis construídos no ateliê de Hughes de Chaunac. Apenas a Signatech-Alpine, por questões de merchandising, coloca o nome fantasia Alpine A470 em seus protótipos – somente um deles será visto nas 6h de Silverstone.

Nesta classe, pilotos de graduação ouro e platina não podem formar trios 100% profissionais. Pelo menos um dos pilotos tem que ter graduação prata ou bronze, até dois deles ou mesmo trios completamente amadores são permitidos. O problema é que há muitos bons pilotos graduados como “silver” no WEC e isto causou problemas sérios na última temporada – e se querem saber, continuará causando.

Em 2017, o torcedor brasileiro verá, reunidos – quem diria – os sobrenomes Piquet, Senna e Prost numa mesma equipe. E Senna e Prost divdindo o mesmo carro! André Negrão, o terceiro piloto do país confirmado na classe para o WEC, só estreia em maio nas 6h de Spa-Francorchamps.

E quem começa a apresentação dos times é justamente a equipe dos sobrenomes de peso: a Vaillante Rebellion.

VAILLANTE REBELLION
Team Principal: Bart Hayden
Carro: Oreca 07
Motor: Gibson GK428 4,2 litros V8
Potência: 600 HP
Câmbio: X-Trac 6 marchas, com acionamento sequencial paddleshift
Pneus: Dunlop
Peso mínimo: 900 kg

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A Vaillante Rebellion cansou da figuração na LMP1 e busca agora o protagonismo na LMP2, com sobrenomes de peso em seus dois protótipos

Foram vários anos como coadjuvante na LMP1, beliscando eventualmente alguns bons resultados. Mas a filosofia da divisão principal de protótipos mudou para 2017 e a Rebellion, que deve regressar à divisão principal em pelo menos dois anos, mudou os caminhos e agora a meta é ser protagonista na competitiva divisão LMP2. A equipe tem expertise, bons profissionais e se cercou de uma estratégia que atraiu muito a atenção para a equipe na Pré-Temporada: a contratação de Nelsinho Piquet, Nicolas Prost e Bruno Senna rendeu dividendos, muita mídia e também o patrocínio da Vaillante, alusivo à personagem Michel Vaillant, criação imortal de Jean Graton.

Por regulamento, os três herdeiros dos campeões mundiais de Fórmula 1 não podem correr juntos – todos. Mas Senna e Prost dividirão um carro: estarão a bordo do #31 junto a Julien Canal. Nelsinho vai no cabalístico carro #13 com o suíço Mathias Beche e o dinamarquês David Heinemeier-Hänsson. No Prólogo de Monza, o carro da equipe de Bruno ficou em 2º e o #13 foi o sétimo colocado – sem Nelsinho, que estava no México com a Fórmula E.

CEFC MANOR TRS RACING
Team Principal: John Booth
Carro: Oreca 07
Motor: Gibson GK428 4,2 litros V8
Potência: 600 HP
Câmbio: X-Trac 6 marchas, com acionamento sequencial paddleshift
Pneus: Dunlop
Peso mínimo: 900 kg

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A Manor costurou parcerias com patrocinadores chineses e fechou com Jean-Éric Vergne e Vitaly Petrov para a disputa do Mundial na LMP2

A Manor da Fórmula 1 desapareceu. Mas a do WEC continua viva, obrigado. E com novos parceiros para encarar a temporada 2017 em sua segunda participação no Mundial de Endurance. John Booth e Graeme Lowdon garantiram apoio de patrocinadores chineses e vêm encarar os adversários com vários novos pilotos. Entre eles, dois conhecidos da categoria máxima: o francês Jean-Éric Vergne, também piloto da Fórmula E e o russo Vitaly Petrov, o último a ser anunciado pela equipe britânica (agora de bandeira chinesa).

Eles se juntam a Tor Graves, ao mexicano Roberto González e aos suíços Simon Trummer e Jonathan Hirschi, esperando fazer um bom campeonato após alguns percalços em 2016. No Prólogo, o único carro do time que esteve presente nos treinos ficou com a sexta colocação.

G-DRIVE RACING
Team Principal: Alexander Krylov
Carro: Oreca 07
Motor: Gibson GK428 4,2 litros V8
Potência: 600 HP
Câmbio: X-Trac 6 marchas, com acionamento sequencial paddleshift
Pneus: Dunlop
Peso mínimo: 900 kg

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Agora em parceria com a francesa TDS Racing, a G-Drive promete incomodar mais uma vez na LMP2

Presença tradicional entre os times do WEC, a G-Drive Racing costurou um acordo com a TDS Racing, após o fim da parceria com a britânica Jota Sport, para dar continuidade à sua trajetória na competição. A participação do time de bandeira russa no Mundial quase não aconteceu, por conta da mudança de graduação do piloto Roman Rusinov, que reclamou publicamente dos critérios da FIA. Não adiantou: ele passou mesmo para a graduação ouro – e apesar disso, confirmou sua presença em mais uma edição do Mundial.

Os companheiros de time é que mudaram: Pierre Thiriet deixa o ELMS e faz sua estreia na competição. E o terceiro piloto é o veloz e competitivo Alex Lynn, de 23 anos, piloto de desenvolvimento da Williams e reserva da DS Racing Virgin na Fórmula E. Uma combinação bastante interessante. No Prólogo, ficaram com a 4ª colocação.

TDS RACING
Team Principal: Xavier Combet
Carro: Oreca 07
Motor: Gibson GK428 4,2 litros V8
Potência: 600 HP
Câmbio: X-Trac 6 marchas, com acionamento sequencial paddleshift
Pneus: Dunlop
Peso mínimo: 900 kg

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Única escuderia estreante no WEC, a TDS Racing tem como atração o jovem e rápido piloto francês Matthieu Vaxivière

Estreante no WEC, a TDS Racing já é conhecida de quem acompanha as provas de Endurance por conta de suas participações no European Le Mans Series e nas 24h de Le Mans. Dão o salto para a competição mundial na LMP2, categoria que conhecem muito bem, por conta da chegada de François Perrodo e do veterano Emmanuel Collard, que já almejavam correr juntos de Esporte-Protótipo neste ano. Como não conseguiram convencer a AF Corse a ter um esquema nesta categoria, fecharam com a TDS Racing.

O terceiro piloto é o jovem e promissor Matthieu Vaxivière, a quem Perrodo e Collard conhecem bem: os três já andaram juntos no WEC há alguns anos com um Porsche da LMGTE-AM, pela equipe belga Prospeed Competition. O problema para a TDS Racing é que Perrodo é justamente o piloto menos graduado entre todos os inscritos da LMP2. No Prólogo, Vaxivière fez o melhor tempo da categoria.

SIGNATECH-ALPINE MATMUT
Team Principal: Philippe Sinault
Carro: Alpine A470 (Oreca 07)
Motor: Gibson GK428 4,2 litros V8
Potência: 600 HP
Câmbio: X-Trac 6 marchas, com acionamento sequencial paddleshift
Pneus: Dunlop
Peso mínimo: 900 kg

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A Signatech-Alpine vem em busca de mais um título na classe LMP2

Os azuis da Signatech-Alpine continuam mantendo viva a tradição da marca imortalizada por Jean Rèdèlè, agora com nova sede em Boulogne-Billancourt. É lá que são preparados com esmero os Oreca 07 rebatizados como Alpine A470 para representar o time de Philippe Sinault no WEC. Dois carros foram prometidos para o ano inteiro, mas somente um estará na pista em Silverstone na abertura do campeonato. É o carro #36, campeão mundial ano passado e que tem Matthew Rao (ex-Manor) como o novo contratado junto a Nico Lapierre e Gustavo Menezes.

O brasileiro André Negrão é uma das novidades ao lado de Pierre Ragues e Nelson Panciatici, estreando somente em maio nas 6h de Spa-Francorchamps. Para a prova belga e para as 24h de Le Mans, a equipe também anunciou Romain Dumas, substituindo Lapierre – que acertou seu regresso á Toyota. No Prólogo, o carro #36 sofreu um acidente e ficou com o pior tempo entre os nove que treinaram. Mesmo ausente na abertura do Mundial, o #35 andou em Monza e ficou com o quinto tempo.

JACKIE CHAN DC RACING
Team Principal: Rémy Brouard
Carro: Oreca 07
Motor: Gibson GK428 4,2 litros V8
Potência: 600 HP
Câmbio: X-Trac 6 marchas, com acionamento sequencial paddleshift
Pneus: Dunlop
Peso mínimo: 900 kg

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Nova parceria e novos pilotos marcam a segunda temporada da Jackie Chan DC Racing no WEC

Após a associação com a Signatech-Alpine, a Jackie Chan DC Racing busca novos desafios para 2017 e traz um novo esquema, com novos parceiros: a Jota Sport empresta sua estrutura e seu conhecimento para levar a escuderia do conhecido ator dos filmes de comédia (com muita porradaria) Jackie Chan, e poder assim disputar um bom campeonato no WEC.

O time não economizou em talento: os britânicos Alex Brundle e Oliver Jarvis são o que se precisava em termos de pilotos profissionais. Tristan Gommendy é um excelente piloto de graduação ouro e o jovem Thomas Laurent é mais um recém-chegado ao Mundial de Endurance. Do ano passado, ficam – é claro – David Cheng e Ho-Pin Tung. No Prólogo, os protótipos do time ficaram em 3º e oitavo, respectivamente.

7 comentários

  1. OZZMAIR disse:

    Rodrigo , ok , a gente sabe que o regulamento técnico impede que isso aconteça , que tem muita coisa envolvida , mas é tão complicado assim de encaixarem os Cadillac do IMSA no WEC , ou , sei lá , ao menos , uma participação em Sarthe???

    Um abraço!!!

    • Rodrigo Mattar disse:

      A questão é política. Enquanto o ACO quiser, não haverá espaço para nenhum DPi. Até porque o espetáculo é dos franceses e os franceses não querem que os carros ianques vençam lá. Ok… a Ganassi venceu com o Ford da equipe IMSA ano passado, Lizard e Risi também já foram bem-sucedidas em Le Mans, mas aí é outra história.

  2. Giggio Race disse:

    Rodrigo, qual é o valor total que uma equipe precisa ter para disputar o WEC na LMP2, com dois carros, na atual configuração de disputa da competição?

    • Rodrigo Mattar disse:

      Um chassi “rolling”, sem motor, custa na faixa de € 400 mil euros, algo em torno de R$ 1 milhão. Ainda há o leasing dos motores, a eletrônica, os pneus e um carro destes não sai por menos de R$ 2 milhões. Afora a questão das viagens, da logística, uma temporada destas deve ficar entre 10 a 12 milhões – isso só na LMP2 e com uma equipe de dois carros. E tem pilotos que exclusivamente estão ali para bancar parte desse valor – e o fazem com o maior prazer.

  3. Giggio Race disse:

    Como o objetivo é disputar várias competições, principalmente na Europa, esta estrutura seria baseada na Europa. Estamos falando aí em investimento de R$ 100 milhões. Mas com DNA brasileiro.

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