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3 de fevereiro de 2013 - 02:38Fórmula 1, Memorabilia

Saudosas pequenas – Ensign, parte III

RIO DE JANEIRO - A Ensign continuava sua luta para se firmar na Fórmula 1 e o campeonato de 1977 seria mais um capítulo na história do time de Morris Nunn. Numa clara evolução do N176, David Baldwin apresentou o modelo N177, que seria guiado pelo novo contratado: ninguém menos que o veterano Clay Regazzoni, que já tinha 37 anos e levou seu basto bigode e o sorriso perene para o time britânico.

Formula One World Championship

Clay Regazzoni saiu da Ferrari e foi de mala e cuia para a Ensign em 1977

O tempero latino levado por Rega ajudou a Ensign no início do campeonato: o ítalo-suíço conseguiu logo na abertura do campeonato em Buenos Aires a 6ª posição, mas o N177 virou sucata na curva 3 de Interlagos, cujo asfalto se despedaçava de forma dramática. Na África do Sul, o piloto chegou em 9º e em Long Beach e Jarama, uma quebra de câmbio e um acidente impediram a progressão da Ensign.

Regazzoni tomaria uma decisão equivocada no correr do campeonato: aceitou um convite para disputar as 500 Milhas de Indianápolis e deixou vago o cockpit do #22 no GP de Mônaco. Jacky Ickx o substituiu e chegou em 10º lugar. A corrida de Clay nos EUA acabou após uma falha mecânica.

Nisso, David Baldwin já estava fora da equipe, tendo sido contratado pela Copersucar-Fittipaldi para fazer um carro novo: o F5 que estreou em Zolder era uma cópia-carbono do Ensign N177, que voltou às mãos de Rega naquela corrida – abandonando por quebra de câmbio. Na Suécia e França, chegou em 7º lugar.

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Patrick Tambay estreou na Fórmula 1 pela Ensign, via Theodore Racing, do multimilionário de Hong Kong Teddy Yip

Um segundo Ensign seria visto a partir do GP da Inglaterra, com o francês Patrick Tambay a bordo e alinhado pela Theodore Racing, uma equipe de Hong Kong fundada por Teddy Yip. Egresso da Fórmula 2, ele conseguiu o 16º lugar no grid e, surpreendentemente, Regazzoni não correu em Silverstone. Tambay abandonaria com problemas elétricos, mas em Hockenheim não só largou onze posições à frente de Clay como marcou seu primeiro ponto na Fórmula 1.

Tambay continuou surpreendendo: fez o 7º tempo do grid do GP da Áustria e foi quinto na Holanda, mesmo com a pane seca que sofreu na última volta. Regazzoni não tardaria a reagir: conseguiu o quinto lugar em Monza e também em Watkins Glen, no GP dos EUA-Leste. Patrick voltou à zona de pontuação no Canadá e foi de novo quinto colocado.

A temporada de 1977 foi a melhor da Ensign em toda sua existência na Fórmula 1. Dez pontos somados e o 10º lugar no Mundial de Construtores, apenas um ponto atrás da Copersucar-Fittipaldi. Como consequência, Patrick Tambay foi contratado pela McLaren e Clay Regazzoni transferiu-se para a Shadow.

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O italiano Lamberto Leoni teve vida curta na Fórmula 1

Mo Nunn teve que se socorrer de dois novos pilotos no início do campeonato: contratou o havaiano Danny Ongais e o italiano Lamberto Leoni para o início do campeonato de 1978. Nas duas primeiras corridas, nenhum dos dois pilotos conseguiu terminar as corridas e Ongais acabou fora da escuderia após o GP do Brasil. Leoni não duraria muito: após não se classificar em Kyalami e Long Beach, perdeu o lugar e Jacky Ickx foi socorrer Mo Nunn novamente.

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Jacky Ickx fez algumas provas pela Ensign em 1977 e 1978

A lua de mel entre o belga e o patrão durou pouco: após abandonar com problema de freios em Mônaco, chegar em 12º na corrida caseira e o motor quebrar na Espanha, Ickx não se classificou para o GP da Suécia. Acabou sendo substituído por um jovem irlandês que vinha de boas performances na Fórmula 2: Derek Daly.

Contudo, apesar das boas referências, o começo do novato foi bem difícil. Daly não se classificou para o GP da França e fez sua estreia em Brands Hatch, onde largou em 15º e ficou na pista até perder uma roda. A Ensign teve dois carros na corrida “de casa”, pois Geoff Lees tentou – e não conseguiu – classificação, com o #23.

No GP da Alemanha, Mo Nunn resolveu dar uma chance a outro novato que estrondava noutra categoria de acesso: a Fórmula 3 inglesa. A jovem promessa atendia pelo nome de Nelson Piquet e ele era o algoz do compatriota Chico Serra e da nova promessa britânica, Derek Warwick.

Piquet fizera um teste pela BS Fabrications de Bob Sparshott e deixara ótima impressão. Como a equipe decidira contar com ele a partir do GP da Áustria, Nunn não se furtou em convidá-lo para guiar o Ensign N177 preto em Hockenheim.

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O time de Morris Nunn deu a oportunidade de Nelson Piquet estrear na Fórmula 1, durante o GP da Alemanha, em 30 de julho de 1978

No treino classificatório, Nelson conseguiu um belo feito: foi o 21º mais rápido do grid, duas posições à frente do austríaco Harald Ertl, que possuía relativa experiência com os Fórmula 1, mesmo não sendo um piloto de alto nível. A preocupação do brasileiro era deixar uma boa impressão e, mesmo abandonando na 32ª volta quando vinha em décimo-segundo, seu desempenho foi elogiado por muitos chefes de equipe. Ertl quase pontuou: estava em sexto até quatro voltas antes da quadriculada, mas o motor do seu Ensign quebrou.

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Derek Daly teve boas atuações com a Ensign na metade final do campeonato de 1978

Sem poder contar com Piquet, que aliás cogitava assinar com a Ensign para a temporada de 1979, Nunn trouxe de volta Derek Daly para as corridas finais. O irlandês voltou empolgado com a boa campanha na Fórmula 2, onde foi um dos poucos que derrotou os March BMW do time oficial de fábrica e mostrou evolução a ponto de conseguir um 6º lugar na última corrida do ano em Montreal, dando ao time o único ponto em 1978.

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No GP dos EUA-Leste, quem dirigiu um Ensign foi Brett Lunger, na última corrida dele na Fórmula 1

Harald Ertl só correria na Áustria, sem contudo classificar seu carro na Holanda e Itália. Acabou fora da equipe e o #23 parou nas mãos de Brett Lunger para o GP dos EUA em Watkins Glen. O ex-combatente do Vietnã largou em 24º e chegou em décimo-terceiro lugar em sua única corrida a bordo de um Ensign.

No próximo post, vamos conferir como foram os anos de 1979 e 1980 na história do time britânico.

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